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Bushido

  O Bushido, que pode ser literalmente traduzido como "Caminho do Guerreiro", surgiu no Japão entre as Eras Heian e Tokugawa (séculos IX - XII). Ele foi um código de ética e um meio de vida para os samurai, uma classe de guerreiros similar aos cavaleiros medievais da Europa. O Bushido dava ênfase à lealdade, auto sacrifício, justiça, bom senso, modos refinados, pureza, modéstia, sobriedade, espírito marcial, honra e afeição.

 

"Não tenho pais, faço do Céu e da Terra meus pais;
Não tenho lar, faço do saika tanden meu lar;
Não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder divino;
Não tenho meios, faço da docilidade meus meios;
Não tenho poder mágico, faço da personalidade minha magia;
Não tenho vida nem morte, faço do eterno minha vida e minha morte;
Não tenho corpo, faço do estoiscimo meu corpo;
Não tenho olhos, faço do relâmpago meus olhos;
Não tenho ouvidos, faço da sensibilidade meus ouvidos;
Não tenho membros, faço da prontidão meus membros;
Não tenho leis, faço da auto-proteção minha lei;
Não tenho estratégias, faço da direito de matar e devolver a vida a minha estratégia;
Não tenho forma, faço da astúcia minha forma;
Não tenho milagres, faço da justiça meus milagres;
Não tenho princípios, faço da adaptabilidade a todas a circunstâncias meu princípio;
Não tenho táticas, faço da cheio e do vazio a minha tática;
Não tenho amigos, faço da minha mente meu amigo;
Não tenho inimigos, faço da imprudência meu inimigo;
Não tenho armadura, faço da benevolência e da retidão minha armadura;
Não tenho castelo, faço da mente inamovível meu castelo;
Não tenho espada, faço da não-mente minha espada."

 

Origens e influências

  O Bushido foi influenciado pelo Budismo Zen, Shintoísmo e Confucionismo. A combinação dessas escolas filosóficas formou o código de ética dos samurai.

Do Budismo, o Bushido recebeu sua relação com o perigo e com a morte. O samurai não temia a morte porque ele acreditava no que o Budismo ensinava, que depois da morte haveria a reencarnação e ele poderia viver outra vida na Terra novamente. Através do Zen, uma escola do Budismo, pode-se alcançar o "Absoluto". A meditação Zen permite alcançar um nível espiritual que não pode ser descrito através de palavras. O Zen ensina o auto-conhecimento e a não se limitar a si próprio. Um samurai usava isto como uma ferramenta para controlar o seu medo, instabilidade e erros. Estas coisas poderiam levá-lo à morte.

O Shintoísmo, outra doutrina japonesa, deu ao Bushido sua lealdade e o patriotismo. O Shintoísmo incluía a adoração aos ancestrais, a qual fazia a família imperial o centro de toda nação. Isso conferia ao Imperador uma reverência divina. Ele era a personificação do Céu na Terra. Com a mesma lealdade, os samurai comprometiam-se para com o Imperador e seus Daimyo ou Senhores Feudais, o mais alto posto samurai. O Shintoísmo também foi a espinha dorsal do patriotismo da sua nação. Eles acreditavam que a terra não estava lá meramente para atender suas necessidades, "ela era a residência sagrada para os deuses, os espíritos de seus antepassados..." A terra era cuidada, protegida e criada através de um intenso patriotismo.

O Confucionismo deu ao Bushido sua crença no relacionamento com a humanidade, seu meio-ambiente e sua família. A ênfase do Confucionismo em cinco relacionamentos morais: entre senhor e empregado, pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e mais novo, e entre amigo e amigo, era o que os samurai seguiam. Entretanto, os samurai discordavam fortemente de muitos dos ensinamentos de Confúcio. Eles acreditavam que o homem não deveriam sentar e ler livros todos os dias, nem escrever poemas todos os dias, o que para um intelectual era considerado como uma máquina. Em vez disso o Bushido acreditava que o homem e o universo foram feitos para serem semelhantes tanto no espírito quanto na ética.

Junto com estas virtudes, o Bushido também compreendia justiça, benevolência, amor, sinceridade, honestidade, autocontrole e o máximo respeito. Justiça é um dos principais fatores do código dos samurai. Atos desonestos e injustiças eram considerados baixos e desumanos. Amor e benevolência eram virtudes supremas e atos nobres. Os samurai seguiam uma etiqueta específica no seu dia-a-dia tanto quanto na guerra. Sinceridade e honestidade eram tão valiosos quanto as suas vidas. "Bushi no ichi gon", ou "a palavra de um samurai" transcendia o pacto de lealdade e confiança. Como em tais pactos não existiam necessidade de uma garantia por escrito, eram considerados inferiores a dignidade. O samurai também necessitava de autocontrole e estoicismo (rigidez moral ou impassibilidade em face da dor ou infortúnio) para ser completamente honrado. Ele não apresentava sinais de dor ou alegria. Ele suportava tudo sem lamentos, sem lágrimas. Ele mantinha a tranquilidade de conduta e compostura de uma mente inabalável, a qual não deveria ser perturbada por paixões de qualquer tipo. Ele foi um verdadeiro e completo guerreiro.

Ainda que simples, o Bushido criou um modo de vida que alimentou uma nação através da maioria de seus tempos problemáticos, através de guerras civis, desespero e incertezas.

O Samurai e o seu relacionamento com o Bushido

  No Japão a classe de guerreiros era conhecida como samurai, também chamados de bushi (daí o nome Bushido). Eles formaram uma classe durante os séculos IX à XII. Eles emergiram de províncias do Japão para tornarem-se a classe dominante até o seu declínio seguido da total abolição em 1876 durante a Era Meiji.

Os samurai eram guerreiros, habilidosos em artes marciais. O samurai tinha amplas habilidades no seu uso do arco e flecha e da espada. Os samurai também eram grandes cavaleiros.

Esses guerreiros eram homens que viveram através do Bushido; ele era o seu meio de vida. A lealdade do samurai ao Imperador e a seu lorde (ou Daimyo) era insuperável. Eles eram leais e honestos. Eles viveram modestamente, sem interesse em riquezas materiais, mas sim em honra e orgulho. Eles foram homens de verdadeiro valor. O samurai não tinha medo da morte. Ele poderia entrar em qualquer batalha, não importando as desigualdades. Morrer em batalha iria somente levar honra à sua família e ao seu lorde.

Os samurai geralmente preferiam lutar sozinhos, um a um. Em batalha, um samurai poderia por em risco o nome de sua família, seu posto, e seus méritos. Por isso, ele procurava um oponente com um posto similar e travava a batalha. Quando um samurai era morto, seu oponente o decapitava. Após a batalha, ele trazia a cabeça de seus inimigos como prova de sua vitória. Cabeças de generais e daqueles de altos postos eram trazidos para a capital e mostrados para os oficiais. A única saída para um samurai derrotado era a morte pelo suicídio ritual: o seppuku.

O seppuku também era conhecido como harakiri, ou "cortar o ventre", é quando o samurai apunhala uma faca no seu próprio abdômen e literalmente "se esquarteja". Após se apunhalar, outro samurai, geralmente um parente ou amigo, corta sua cabeça. Essa forma de suicídio era executada sob várias circunstâncias: para evitar a captura em batalha, a qual o samurai não acreditava ser desonrosa, mas geralmente mal politicamente; para pagar por um crime ou ato indigno; e talvez o mais interessante, para agradar seu lorde. Um samurai preferia suicidar-se do que levar vergonha e desgraça ao nome da sua família ou ao seu lorde. Isto era considerado um ato de verdadeira honra.

Os samurai tornaram-se a classe dominante durante os séculos XV e XVI. No século XVII houve um tempo de unificação, cessando as guerras no Japão. Então perto do final da Era Tokugawa, no final do século XVIII o Japão começou a caminhar em direção à modernização a ao modo de vida Ocidental. Não necessitava mais de lutadores, de guerreiros, de samurai. Os samurai e o seu modo de vida foram oficialmente abolidos no começo de 1870, mas não esquecidos.