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A Vida de O-sensei Morihei Ueshiba

        Tanabe, onde está agora a Prefeitura Wakayama, foi onde Morihei Ueshiba nasceu. Ainda pequeno ele demonstrou um interesse incomum por estudos espirituais, começando aos sete anos a receber ensinamentos em uma série de santuários e templos. O jovem Morihei viu diversas vezes seu pai ser espancado por um bando de valentões, capangas de um adversário político. Isto deixou uma profunda impressão no menino que, apesar de fisicamente pequeno, resolveu se tornar forte o bastante para enfrentar os desordeiros. Ueshiba se esforçava constantemente para fortalecer seu corpo e aprender artes marciais. Diversas vezes esteve gravemente doente, mas a cada vez, com tenaz determinação, recuperava suas forças novamente. Estudou vários estilos de Judo e Kendo (luta com espada), constantemente procurando mestres que pudessem ensinar mais a ele. Aos vinte anos se tornou um soldado e serviu na guerra da Manchúria. No treinamento militar demonstrou uma força inacreditável, freqüentemente carregando os fardos pesados de dois ou três outros soldados durante as marchas. Ao ser liberado das forças armadas aos 27 anos, Morihei se tornou um pioneiro, estabelecendo-se numa fazenda numa região erma no norte da ilha de Hokkaido. Devido ao seu zêlo, força e senso de justiça, ele se tornou um líder popular da região. Apesar de muito bem sucedido, a vida no campo não podia satisfazê-lo completamente, já que se dedicava cada vez mais ao seu treinamento em artes marciais, gastando suas economias em lições. Seu permanecimento em Hokkaido durou nove anos, até que seu velho pai em Wakayama ficou gravemente doente. Morihei começou imediatamente a jornada de volta para casa, mas no caminho ouviu falar sobre Onisaburo Deguchi e a Oomoto e, querendo fazer tudo o que lhe era possível para salvar seu pai, decidiu ir primeiro a Ayabe para encontrar-se com Onisaburo. Ueshiba ficou profundamente impressionado com seu encontro com Onisaburo. Diante da morte de seu pai, a quem era tão devotado, Ueshiba decidiu dedicar-se inteiramente a uma busca aos segredos do corpo e espírito. Seus terrenos, sua casa e todas as suas posses em Hokkaido, ele deu a seu professor de artes marciais. Após um período de prática asceta, mudou-se com sua família para Ayabe em 1919 para aprender com Onisaburo. Os ensinamentos eram profundos, lidando com princípios do universo e o conceito de Deus, a realidade dos mundos espiritual e físico, regras da vida humana, etc. Como um discípulo de Onisaburo, Ueshiba se tornou um modelo. Ele se entregou completamente à disciplina severa, com a convicção de que o estudo dedicado sob a direção de Onisaburo o levaria a um entendimento esotérico que com o tempo o permitiria dominar as artes marciais. Ele nunca negligenciou suas obrigações: participando das orações comunitárias diárias, dos treinamentos e exercícios em grupo, além do estudo de todo o conjunto da literatura da Oomoto.

Aventura na Mongólia


Na Oomoto, severamente limitado pela perseguição por parte do regime militarista japonês, Onisaburo julgou que poderia divulgar melhor sua mensagem de amor universal fora dos limites nacionais do Japão. Conseqüentemente, em 1924 ele empreendeu uma viagem missionária ao continente asiático para fundar, junto com novas religiões locais, um movimento baseado no amor universal. Ele convidou Ueshiba e dois outros seguidores para ir com ele. Ueshiba, então com 41 anos, aproveitou a chance de estar ao lado de Onisaburo numa aventura para testar seus métodos de combate recentemente idealizados. A expedição foi certamente cheia de aventura, milagres e mistério. Mas, devido a problemas internos na China, a expedição gastou a maior parte do seu tempo fugindo e finalmente foi detida na fronteira sul da Mongólia. No fim, um exército inimigo os capturou e somente uma mensagem, literalmente de última hora, do consulado japonês os salvou do pelotão de fuzilamento. O audacioso empreendimento chegou então a um fim. Na Mongólia, Ueshiba se encontrou diversas vezes em perigo de morte, mas a cada vez teve sucesso ao se defender, sem o uso de armas. Por exemplo, uma vez recebeu um tiro de pistola a curta distância. Mais tarde ele descreveu o incidente:
Eu realmente senti o impacto da bala e, um momento depois, pulei em direção ao pistoleiro e derrubei-o, tomando-lhe a pistola. Mas o fato de que eu não fui morto mostra que foi seu pensamento que me acertou (um tipo de bala espiritual) antes que ele pudesse agir. Suas experiências na Mongólia com Onisaburo certamente deram a Ueshiba várias ocasiões para testar seus admiráveis poderes. Retornando a Ayabe, oportunamente continuou a assombrar os espectadores. Como um voluntário para ajudar a construir um parque público em Ayabe, usando o misterioso poder de kototama, o espírito das palavras, como foi ensinado a ele por Onisaburo, uma vez desenraizou uma árvore de 15 centímetros de diâmetro e moveu uma pedra que dez homens juntos tinham falhado ao tentar. Ele disse, “Baseado naquelas experiências, estou convencido de que o homem tem uma extraordinária força espiritual residindo em sua alma”. Sua auto-disciplina permaneceu severa mesmo após seu retorno a Ayabe. Sua fama se espalhou por todo o país, em parte por causa da ampla divulgação de seus talentos por Onisaburo. Foi dito, “Ayabe tem Ueshiba, um grande virtuoso das artes marciais”. Veteranos auto-confiantes das artes marciais foram a ele para observá-lo, receber instruções ou desafiá-lo. Mas nenhum conseguiu derrotar Ueshiba. Uma vez, na primavera de 1925, um oficial da marinha, professor de esgrima japonesa foi ao encontro de Ueshiba. Durante o embate o oficial, vez após vez, atacou Ueshiba com sua espada de madeira, mas cada vez Ueshiba evitava facilmente que a espada o acertasse. Finalmente o oficial, totalmente exausto, teve que desistir sem tocar Ueshiba ao menos uma vez. Depois Ueshiba disse que sentiu cada golpe da espada um momento antes de acontecer. Deste modo ele pode facilmente desviar-se do caminho da arma. Algum tempo depois desta experiência, ele estava caminhando sozinho no jardim e, sob um caquizeiro, teve uma experiência totalmente nova. Ele a descreveu mais tarde:
Eu senti como se o universo de repente tremesse e um espírito dourado saiu da terra, envolveu meu corpo e o transformou num corpo dourado. Ao mesmo tempo minha alma e meu corpo se tornaram luz. Eu pude entender o murmúrio dos pássaros e estava claramente consciente do espírito de Deus, o Criador do universo. Naquele momento eu recebi iluminação: a fonte das artes marciais é amor divino - o espírito da proteção do amor para todos os seres. Lágrimas de alegria ilimitadas fluiram pela minha face. Depois disso eu senti como se o mundo inteiro fosse minha casa e o sol, a lua e as estrelas pertencessem a mim. Eu fiquei livre de todos os desejos, não apenas de prestígio, fama e posses, mas também do desejo de ser forte. Eu compreendi que arte marcial não é derrotar um oponente pela força.... O treino de artes marciais é para receber o amor de Deus, que é o que cria, protege e nutre tudo na natureza, e torná-lo próprio - pratique isto em sua própria alma e corpo. Divulgando o Aikido Em 1926, com sólida recomendação de diversas pessoas altamente consideradas no Japão, além da bênção de Onisaburo, Ueshiba se mudou para Tokyo para se dedicar a ensinar Aikido. Apesar de se recusar a fazer propaganda, sua fama e seu corpo de discípulos cresceu rapidamente. Ele estava bastante preocupado em evitar que o poder do Aikido fosse mal utilizado. Aceitava como discípulos apenas aqueles com recomendações de personalidades de projeção. Dois anos depois, na ocasião de um grande festival em Ayabe para celebrar o rápido crescimento do movimento Oomoto, Ueshiba conduziu uma apresentação no santuário em dedicação a Deus. Anos depois, um dos espectadores a descreveu assim:
Cinco ou seis discípulos armados com espadas ou lanças de madeira atacaram Ueshiba simultaneamente de todos os lados, mas todos eles eram rapidamente arremessados ao ar sobre sua cabeça. Suas manobras eram tão rápidas que as armas nem mesmo tocavam seu traje, apesar de seus movimentos estarem um tanto restritos devido ao kimono cerimonial. Naquela época Ueshiba ainda ensinava sua arte sob o nome Kohbu Budoh - kobudo- (Divina Arte Marcial de Guerreiros), mas Onisaburo aconselhou-o a mudar o nome de Kohbu para Aiki. Aiki é a energia do amor, ou espírito divino. Finalmente o nome se tornou Aikido, o caminho do amor ou espírito divino. Em 1932 a Oomoto fundou a Associação de Propagação de Artes Marciais Japonesas(Dai Nihon Budoh Senyoh-kai), com Onisaburo como presidente honorário e Ueshiba como presidente. Um ano depois sua sede foi transferida para Takeda, 40 quilômetros a oeste de Ayabe, onde um grande salão de treinamento foi instalado com Ueshiba como encarregado. O atual co-líder espiritual da Oomoto, Hidemaru Deguchi, foi um fervoroso discípulo de Aikido e trabalhou como conselheiro e, mais tarde, presidente da Associação. Depois disto o Aikido se espalhou pelo país como os raios do sol nascente. A reputação de Ueshiba continuou a crescer. Mas, logo após, em 1935, veio o Segundo Incidente Oomoto e, entre outras coisas, a associação de artes marciais deixou de existir. Possivelmente por causa de sua grande fama, Ueshiba conseguiu evitar a prisão. Ele voltou a Tokyo onde continuou a ensinar Aikido, mas a Segunda Guerra Mundial, que explodiu na Ásia em 1941, levou embora os estudantes e várias escolas de artes marciais tiveram que fechar. Ueshiba mudou-se para o campo na Prefeitura de Ibaraki, a nordeste de Tokyo, onde ele pode combinar suas duas atividades favoritas: agricultura e artes marciais. Após a guerra, as forças armadas de ocupação dos Estados Unidos proibiram qualquer tipo de instrução em artes marciais por vários anos. Em 1948, três semanas após a morte de Onisaburo Deguchi, a Associação Aiki (Aikikai) recebeu permissão para recomeçar. Depois da guerra, o Aikikai assumiu uma atitude menos elitista, visando trazer o Aikido ao público em geral. Ele se tornou popular, não apenas no Japão, mas também no exterior. Eventos espetaculares ajudaram a espalhar sua reputação. Por exemplo, em 1953, Koichi Tohei, um discípulo de Ueshiba, participou de um campeonato nacional de Judo nos Estados Unidos. Instigado pelos participantes, ele defrontou-se com um ataque simultâneo de cinco mestres de Judo americanos a quem ele não tinha enfrentado previamente. A facilidade com que ele derrubou todos os cinco causou sensação, atraindo bastante atenção ao valor do Aikido. Em 1969 o virtuoso Ueshiba chegou ao final de sua vida, aos 86 anos. Mesmo nos últimos anos sua maravilhosa arte nunca fraquejou, com a velocidade inacreditável de seus movimentos e sua vitalidade despertando admiração em todos os espectadores. Com suas próprias palavras, Ueshiba descreve a essência de sua arte:
O segredo do Aikido é harmonizarmo-nos com o movimento do universo e integrarmo-nos com o próprio universo. Aquele que atinge o segredo do Aikido tem o universo dentro de si e pode dizer, “eu sou o universo”. Eu nunca sou derrotado, não importa quão rápido o oponente ataque, não porque minha técnica é mais rápida que a do atacante. Não é uma questão de velocidade, na verdade. A batalha está terminada antes mesmo de começar. Quando alguém tenta investir contra mim, o próprio universo, esta pessoa deve quebrar a harmonia do universo. Por esta razão, no momento em que decidiu lutar contra mim, já perdeu.
Suas descrições do Aikido podem parecer muito simples e grandiosas. Porém, só após treinamento dedicado e prática de Aikido pode alguém entender completamente e acreditar na verdade. Arte marcial real é um ato de amor, é o trabalho de dar vida a todas os seres, não matar ou lutar contra outra pessoa. Amor é Deus protegendo todas as coisas. Sem ele nada poderia existir. Aikido é a realização do amor. Portanto, disputar tecnicamente, ganhar ou perder, não é arte marcial real. Arte marcial real não conhece derrota. “Nunca ser derrotado” significa “Nunca lutar”. Vitória é purificar o espírito de desarmonia de seu interior. Isto é, realizar plenamente aquilo para o qual você está aqui. Isto não é mera teoria. Pratique isto. Então você vai reconhecer o grande poder da unidade com a natureza. Com Aikido você aprende, não teoricamente, mas com experiência corporal real, a verdade universal de que o atacante sempre tem uma desvantagem e, conseqüentemente, perde. Existem muitas teorias bonitas, muito sábias, verdadeiras e úteis - mas se você não aprender a verdade através de experiência pessoal, restam apenas bonitas teorias. Aikido oferece um caminho concreto para experimentar pessoalmente a verdade.